O que são IBS e CBS
São os dois tributos sobre o consumo que substituem cinco: a CBS ocupa o lugar de PIS e Cofins, no âmbito federal, e o IBS ocupa o lugar de ICMS e ISS, que hoje são estadual e municipal. A lógica muda: o imposto é devido no destino do consumo, com crédito amplo sobre as compras. As alíquotas de referência servem para orientar o desenho do sistema, não para calcular a carga de uma empresa específica.
O que muda para prestadoras de serviço
Muda onde o imposto é devido, quanto volta como crédito e em que momento é recolhido. Quem vende para outra empresa tende a lidar com um comprador mais atento ao crédito; quem vende para consumidor final sente mais diretamente o efeito da alíquota. O recolhimento no momento do pagamento, previsto no novo desenho, altera a rotina de caixa e de conciliação.
Simples Nacional: o que avaliar
O Simples continua existindo. O que surge é a possibilidade de recolher IBS e CBS fora da guia unificada, mantendo o restante da apuração simplificada. A decisão não é automática: depende do faturamento, da cadeia de custos, do perfil dos clientes e do crédito que você consegue gerar. É uma análise numérica, feita caso a caso.
Clientes pessoa física e pessoa jurídica
A mesma receita pode ter efeito diferente conforme quem compra. Empresas compradoras tendem a valorizar o crédito gerado na nota; consumidores pessoas físicas não aproveitam crédito e percebem o preço final. Se o seu mix de clientes está mudando, o desenho de preço e de contrato precisa acompanhar.
Preços, contratos e margem
Contratos de longa duração, assinaturas e pacotes com entrega futura atravessam a transição. Vale revisar cláusula de reajuste, previsão de repasse por alteração legal, prazo, renovação e o que acontece se o custo tributário mudar no meio do contrato.
Cursos, mentorias e produtos digitais
A tributação depende da natureza da operação — se é serviço, licença de uso, venda de conteúdo ou uma combinação —, do local do cliente e da regra do município. Não existe uma resposta única para todo infoproduto, e classificar a receita errada hoje cria retrabalho na transição.
Por que revisar o enquadramento
A reforma não determina, por si, troca de regime nem abertura de outra empresa. Ela aumenta a importância de revisar a escolha tributária com números: um enquadramento adequado em 2024 pode não ser o mais eficiente em 2027. Sem simulação fundamentada, ninguém pode afirmar que você pagará mais ou menos.